• Larissa Maciel

Caso Sandro e a injúria racial: como começou

Atualizado: Mai 18

Situação já está nas mãos da polícia. ABC silencia de maneira lamentável.

Williams Segundo e Sandro Moreira - foto: cedida

O blog Larissa Maciel buscou o vice presidente do Potiguar e também advogado, Williams Segundo, para entender o que aconteceu no fim do jogo contra o ABC. Um verdadeiro tumulto generalizado foi repercutido e, depois, descobriu-se a acusação de injúria racial contra Sandro Moreira, supervisor de futebol do alvirrubro.


Perguntei se o clima já estava quente antes:


“Não. Na verdade, estava normal. O clima de um jogo decisivo, mas comum. Não existiam troca de farpas ou coisa assim. Quando o gol sai e o Madson comemora, a euforia tomou conta de todos e então aconteceu o fato”, disse Williams.


O vice presidente ainda afirmou que após o momento em que o preparador de goleiros do ABC teria chamado Sandro de “macaco e negro de merda”, o próprio foi conduzido a delegacia de plantão. Lá, Williams deu suporte ao Sandro e o diretor comercial e de eventos, Alexandre Tavares, foi como testemunha do acontecido. O delegado de plantão era Valtair Camilo.


“Ele foi conduzido pela Polícia Militar. Sandro deu o depoimento afirmando que sofreu racismo e o preparador assumiu que chamou assim. O inquérito será encaminhado para a segunda DP (delegacia de plantão), que fica próxima ao Nogueirão, e posteriormente vai abrir o processo criminal por injúria racial”.


Em termo de declarações exposto com exclusividade pelo blog Entrelinhas, no depoimento do preparador de goleiros do ABC não conta confissão.


DESDOBRAMENTOS:


Até o início da manhã de segunda (17), o ABC não se posicionou sobre o fato. Além da injúria racial após a partida, também ficou registrada a agressão ao repórter fotográfico Léo Moura, que estava a trabalho pelo Potiguar. Jogadores e o próprio preparador de goleiros avançaram contra o profissional e chegaram a tentar pegar a câmera.


É chocante que o ABC demore tanto para dar um posicionamento sobre o fato que desonra a camisa de um gigante como o ABC. O preparador de goleiros precisa responder pelos atos.



ATUALIZAÇÃO - 09H15:

O ABC diz que não vai punir o preparador de goleiros após a denúncia de injúria racial. Ainda que o profissional tenha CONFIRMADO algumas das ofensas, o clube diz que nada prova.



FALA DO DELEGADO DE PLANTÃO - VALTAIR CAMILO:


"Foram encaminhados pela PM diretores do Potiguar e do ABC.


O Diretor do Potiguar acusa o treinador de Goleiros do ABC de ter lhe chamado de Macaco e negro de bosta enquanto que o treinador de Goleiros do ABC acusa o diretor do Potiguar de ter lhe chamado de Filho da puta fresco, time de merda... Ambos negaram as acusações,. Alegando que realmente entraram em discussões...


Foram ouvidos todos os envolvidos e liberados e encaminhado o procedimento pra Distrital fazer as investigações e constar quem está com a verdade."


Veja nota oficial do ABC:


Em respeito à população do Rio Grande do Norte e sobre os fatos ocorridos na tarde do último domingo (16), no estádio Leonardo Nogueira, durante o jogo com o Potiguar de Mossoró, o ABC Futebol Clube vem a público manifestar o seu repúdio a todos os atos ocorridos.


Embora haja acusações do supervisor do clube mossoroense, Senhor Sandro Moreira, de ato racista por parte do treinador de goleiros do ABC, Senhor Francisco de Assis do Nascimento Targino, que nega o fato. Ambos registraram Boletim de Ocorrência com acusações mútuas.


O ABC Futebol Clube não coaduna com qualquer ato de discriminação racial e, caso seja constatado qualquer desvio por parte do funcionário do Clube serão tomadas as providências cabíveis, jurídicas e administrativas.


Jamais seremos omissos diante de acusações tão graves. Como em nosso manto, somos um clube de brancos e negros. Nenhum racista representa o ABC Futebol Clube. Não admitiremos, em nenhuma hipótese, a presença de cidadãos em nossos quadros, que não respeitem os princípios básicos da dignidade e respeito ao ser humano.


Bira Marques Presidente do ABC Futebol Clube

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