• Larissa Maciel

Conheça a história de Rato: da desistência, do trabalho na praia a disputado por ABC e América

Jogador contou com o apoio de Luciano Quadros desde o início da carreira. Agora, vestirá a camisa do América.


Wallace Rato contra o ABC - foto: reprodução

No início da pré-temporada do Potiguar ainda no fim de dezembro, o torcedor alvirrubro começava a conhecer as caras que conduziriam a camisa do time mossoroense nos campos do Estado. Volta de Wallace, Marielson, nomes novos do futebol carioca... entre eles, outro Wallace, o Wallace Rato. Mas quem é ele?


Aposta de longa data do técnico Luciano Quadros, o então camisa cinco do time macho precisou apenas de quatro jogos para apresentar seu futebol, convencer e ainda: criar um clássico de bastidores entre ABC e América depois de uma grande atuação contra o mesmo ABC, na Arena das Dunas.

O volante carioca seguirá vestindo alvirrubro: decidiu ir para o América. Lá na frente você vai entender melhor. Mas ele começou mesmo a jogar no Audax, adivinha: com o técnico Luciano Quadros.


“Joguei a minha vida quase toda no Audax e foi ali que eu conheci o Luciano Quadros. Trabalhei com ele ali, depois ele foi Marília e me levou, depois voltou ao Audax e me trouxe com ele”, explicou ao blog.


No seu caminho, assim como nos de muitos jogadores e sonhadores do mundo da bola, as lesões. Tantas que o fizeram decidir largar o futebol. Parecia que a sua vida tomaria novos trilhos.


“Ah, quer saber? Desisti. Quero jogar mais bola não. Filho pra criar e sempre jogava só um semestre, depois precisava trabalhar. Achei melhor assim”.


Trabalhou na praia com o amigo Castro, que também já tinha sido seu companheiro no Audax, em um quiosque para ajudar nas contas dentro de casa. Engordou 20kg. O irmão, Wellington, reconhecia seu potencial. E mesmo sabendo do seu distanciamento do futebol, falava:


“Com um potencial desses tu vai parar de jogar bola?”. E foi daí que começou o seu reencontro com os gramados.


Passou a treinar com o irmão, ir a igreja também. Ali, utilizou a fé, uma conhecida companheira dos que calçam as chuteiras. Ia pro campo, depois trabalhando na praia cedo, montando a barraca e seguindo a sua rotina. Na igreja, ouviu do seu pastor que Deus abriria as portas para ele.


E lá vem ele novamente: Luciano Quadros. Agora comandante do Potiguar. E lhe deu mais um voto de confiança.


“Luciano é o meu paizão. É um cara que eu admiro muito. E eu falei pra ele: professor, essa chance que o senhor tá me dando, eu vou dar a minha vida pelo senhor, pela minha família, pode faltar qualidade, mas vontade não vai faltar”.


O professor viu de perto a evolução do Rato. Das bebidas, dos cigarros, dos caminhos difíceis para cair como uma luva no alvirrubro mossoroense. Ficou a gratidão. Tamanho esforço, principalmente num jogo estupendo na Arena das Dunas, foi recompensado com uma proposta do ABC depois do fim da partida, ali na “boca do vestiário”.


“Dei minha palavra para o Diá que ia fechar com o ABC. Só que na vinda para me apresentar, o América me ligou. Me fez uma proposta bem mais alta. Contrato longo, moradia, e eu pensei na minha família, no meu filho. Sei que não vou ficar rico, mas é uma coisa que eu posso construir minha casa, eu não tenho casa. Posso colocar ele numa escola melhor. Posso dar um sapato melhor pra ele agora”, esmiuçando sua decisão.


Ainda pediu desculpas à torcida e ao clube alvinegro:


“Peço desculpas ao ABC, a torcida, ao Diá, mas eu pensei na minha família e escolhi o que era melhor pra mim”.


Rato vestirá a camisa do América ainda no campeonato estadual e também na Série D. Oportunidade única na carreira, de um clube com envergadura nacional, assim como o ABC também seria, óbvio. Quem o julga precisa ler este texto novamente e lembrar: o futebol é um instrumento de transformação social. Foi assim com o Rato.

1,075 visualizações

©2019 by Larissa Maciel. Proudly created with Wix.com