• Larissa Maciel

Do Vasco ao Potiguar, os atos dos clubes brasileiros pelo mês do orgulho LGBTQIA+

Em plenos século 21, pedir posicionamento parece surreal, mas é essencial.


O mês de junho é considerado o mês do orgulho LGBTQIA+ (Lésbicas, gays, bissexuais, trans, queer, intersexual e assexual). A comunidade, sem dúvida alguma, é uma das mais agredidas no futebol. Costumo dizer que o esporte é o espelho de sua sociedade. Temos uma sociedade machista,misógina, racista, xenofóbica e homofóbica. Dentro e fora das quatro linhas, assistimos o horror do preconceito em cânticos de torcida, faixas e o pior: violência.


Junho de 2021 também foi marcado por inúmeros casos de transfobia e homofobia pelo país. Pessoas queimadas vivas, pessoas baleadas em barbearia. Atrocidades. Mas na visão do mercado, as cores do arco íris caem muito bem. Vendem, geram curtidas, engajamento.


Quando olhamos os perfis de instagram dos clubes brasileiros, então, a visão de marketing está consolidada: basta colocar “todo amor é válido”, as cores da bandeira e seu trabalho está feito. Mas não está. É mais do mesmo e assim como algumas campanhas contra outros tipos de preconceitos, são atos rasos.

A comemoração de Cano após o gol no domingo

Em cenário brasileiro, o Vasco foi o único que deu a cara a tapa. Mexeu com suas cores, fez camisa sobre a causa que vendeu feito água. Estrategicamente, uma ação direta, de marketing sim, mas também cheia de representatividade. Além da venda de camisas, levou as cores junto com sua cruz de malta para o campo. A bandeira levantada por Cano, em comemoração de gol concretiza a jogada como golaço. Honrou, por sinal, sua história como um clube que combateu preconceito, que combateu racismo. É sobre isto!

foto: reprodução

Existem também as manifestações silenciosas, mas que tem significado. O Potiguar de Mossoró, conhecido como time macho, mudou sua foto de perfil do instagram com as cores da causa. Silenciosamente, demonstrou empatia, em um cenário bem diferente, em seu próprio nicho. Isso, em minha visão, é um primeiro passo. É quebrar a primeira janela contra o preconceito. Que cheguem a quebrar as portas.


Ainda acho surreal ter que comentar ações de empatia e respeito pela vida. É absurdo que em cenário esportivo jogadores, atletas em geral não tenham coragem de assumir seus relacionamentos com medo da represália, da ofensa, da morte. É absurdo que um profissional não possa mostrar quem ele é fora de seu ambiente de trabalho apenas porque ama alguém. Mas o absurdo existe e bate em nossa porta todos os dias. Bate na minha, eu sinto a pancada.


Por sentir a pancada, não poderia deixar de comentar. Todo clube que se omitir a qualquer tipo de preconceito que seja, merece a omissão na história.


Pela vida de todos, pela minha, pela sua, respeite.


24 visualizações0 comentário