• Larissa Maciel

Luana Aparecida: Sentia o preconceito ecoar, mas voltei ao karatê

Luana é atleta do município de Currais Novos. Ela nos conta como foi o início e o retorno ao karatê, além dos seus sonhos.


Quando começou no esporte e por quê?


Comecei no esporte em 2007 inicialmente como capoeirista em um projeto social na escola com professor “Zélio parafuso”. Não tinha coordenação, gostava das aulas e estava aprendendo a se defender.


O projeto chegou ao fim em 2010 e então conheci o Karatê. Por coincidência, estava brigando no pátio da escola com duas meninas e durante a briga o sensei chegou para dar o recado da aula experimental e disse: se quiser brigar, deixe para a noite na aula. Foi assim que comecei na época.


Pagava, mas ganhei uma bolsa. Ele conhecia a luta da minha família. Eu amava aquilo, fazia muito bem para a minha alma. Cada segundo de conhecimento foi valioso, só que o preconceito ecoava ao meu redor. Os questionamentos vinham para a minha mãe: “isso é esporte para homem”, “coloca ela no balé”.


Eu também praticava outros esportes, como a corrida com meus irmãos e até uma amiga me chamou para jogar bola e eu decidi largar o karatê imaginando que o machismo seria diferente. Larguei a bolsa e agradeci por tudo, mas o sensei disse que se o karatê tivesse ficado no meu coração, um dia eu voltaria.


Quis voltar para o karatê em 2014. Sentia falta. Mas foi em 2017 que eu voltei.


Qual a primeira lembrança positiva que você tem dentro da modalidade?


Tenho várias. Primeiro, quando chegávamos nos campeonatos e eu outras meninas paravam e nos olhávamos e sorríamos como se nós tivesses conexão. Também ver minha mãe primeiro no campeonato, na torcida, falando que acreditava em mim. Na hora fiquei envergonhada, mas estava gostando de escutar aquilo.


Como foi a aceitação da família e o apoio dentro das competições?


Super de boas. Minha mãe sempre nos incentivou no esporte, tanto eu como os meus irmãos. Eles na corrida mesmo e depois pararam. Já eu continuei no esporte e ela sempre foi a minha maior incentivadora. Sempre para eu correr atrás dos meus objetivos. Infelizmente, nem sempre ela está presente nos campeonatos, mas sempre liga mandando energias. Sem falar no apoio para lutar como se ela estivesse vendo no tatame.


Você já fez cotinhas visando a participação em competições. Imagino que sinta de perto a falta de apoio ao esporte feminino. Como é viver isso na pele?


No esporte em si falta apoio. É bem complicado quando a gente vem de família humilde e ser mulher piora ainda mais a situação. Bom, eu não tenho condições sozinha de pagar pelas minhas competições e chega uma hora que o orçamento pesa, começam as dificuldades para participar dos campeonatos e tento correr vendendo rifas, pedindo ajuda de diversas formas e quando perguntam qual é o esporte aparecem as piadas dizendo que “isso é coisa de homem”, parece que não acreditam no potencial que nós temos como mulher.


O que deseja realizar ainda como atleta nos próximos anos?


Desejo ser um espelho para a futura geração. Conhecer outros países, compartilhar experiências com outras pessoas e ter a oportunidade de virar atleta profissional, poder disputar um mundial e, quem sabe, uma Olimpíada.


Qual o recado que você dá para mulheres que querem começar algum esporte?


Mulherada, não tem idade certa para encarar novos desafios. Começa na prática um esporte e os benefícios são inúmeros. Então, procurem um lugar, transmita boas energias e se joga. O esporte faz bem para a alma, para o corpo e vocês vão amar.

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