• Larissa Maciel

O Nordeste é Tricolor

Fortaleza literalmente se fortaleceu nos últimos anos e se tornou em uma potência do nordeste.


Pelo jornalista Pedro Ítalo


A história do Fortaleza é repleta de páginas de superação. Voltando lá para 2015, quando o Leão do Pici, de forma heroica, busca o empate diante do Ceará, na final do campeonato cearense, e Cassiano foi eternizado na história juntamente com Alcides Santos. Confesso, que ali cheio de emoção dentro do meu coração, tive a certeza que além daquela conquista, o Fortaleza iria estar pronto para ir buscar o tão sonhado acesso a série B do Campeonato Brasileiro, e deixar de uma vez por todas o calvário da série C. No fim, eu e milhares de tricolores, tivemos que conviver mais uma vez com a frustração de ficar pelo o caminho, e sem saber qual seria o rumo na próxima temporada.


E quando o ano de 2016 começou, mais uma vez o estadual veio para nos encher de esperanças, o bicampeonato chegou, mais uma vez em cima do nosso maior rival, e ali veio os questionamentos: estamos prontos para as dificuldades impostas pela série C? O que temos é suficiente para chegar ao tão sonhado acesso? A resposta foi não, para todas as perguntas e esperança dos torcedores e dirigentes.


É, e o fundo do poço parecia não haver um fim. O que já era caótico, em 2017 explodiu! Totalmente em queda livre, sendo eliminado de todas as competições do primeiro semestre, o time entrou em crise técnica, financeira e política, um leão totalmente domado.

E nos bastidores as mudanças começaram a ser realizadas, destaque para Marcelo Paz, que foi diretor de futebol do clube nos dois anos anteriores, se torna vice-presidente de Luis Eduardo Girão (atualmente Senador da Republica), dois torcedores apaixonados que com gana enfrentam tudo e todos com o objetivo de reerguer o clube, essa mudança na gestão, poderia ser definida como o último rugido do Leão. Mas, o capítulo da dolorosa passagem pela terceira divisão, que parecia não ter mais um fim, chegando aos 7 anos de frustrações e de batidas na trave, estava prestes a ser superado.


Em pouco tempo, Girão e Marcelo Paz, começaram a juntar as “pedras” que encontravam pelo o caminho e, ao invés de atirá-las em adversários e adversidades do passado, o presidente e sua diretoria fizeram diferente, eles buscaram uma aproximação com a diretoria do maior rival, perdoaram o ídolo Clodoaldo, olharam para a base do clube e de lá surgiram jogadores como o atacante Edinho e o lateral esquerdo, que veio a se tornar um dos líderes da equipe, Bruno Melo.


Mesmo no olho do furacão, a diretoria naquele momento, tentava conter os problemas e enxergar soluções que pudessem surtir efeito junto ao torcedor e nos bastidores do clube. Eduardo passou a gerir o Fortaleza como uma empresa, de fato, implementou um planejamento estratégico e trouxe um equilíbrio fiscal. A reconstrução não seria somente dentro de campo. Fora dele, a gestão deu início a melhorias na estrutura física do Centro de Treinamento Ribamar Bezerra e também no PICI. Fora das quatro linhas, outra importante ação da diretoria foi o investimento no marketing do clube, trazendo uma nova roupagem nas mídias sociais e ativando a TV Leão.


Dessa forma, o Fortaleza começou a enfrentar o campeonato brasileiro da série C de 2017. Como falei anteriormente, um Leão quase que domado e arriscando seu último rugido. Com a força, vibração e energia que vinha das arquibancadas, o Fortaleza chegou mais uma vez ao mata-mata da competição. Dessa vez, para enfrentar a equipe mineira do Tupi. Com o comando técnico de Antônio Carlos Zago, veio a redenção! O Fortaleza estava livre da série C e rumo a série B do Brasileirão.


E não é que o ano de 2018 iniciou carregado de dúvidas, isso por que Zago optou por não renovar com o Tricolor. Foi então que o diretor de futebol, Marcelo Paz, entrou em ação, e liderou o acerto com um ídolo do futebol nacional, que tinha iniciado sua carreira como técnico a pouco tempo, Rogério Ceni era a bola da vez e desembarcou na capital. E para quem duvidou, ali começava a travessia do “mar morto” pela galera do Leão.

O campeonato cearense de 2018 serviu de laboratório para o mais novo comandante, e teve a aprovação da diretoria, ali estava sendo moldada a base que traria resultados e conquistas inesquecíveis para a história do futebol do estado. No ano que completaria 100 anos de existência, Rogério Ceni foi a dúvida que se transformou em certeza para o ano centenário. Se não bastasse, o acesso à primeira divisão do Campeonato Brasileiro veio através do maior título do futebol cearense, com o Fortaleza levantando a taça nacional. Ceni ainda conquistou o estadual e a Copa do Nordeste de 2019.Uma tríplice coroa em menos de 365 dias.


E tem aquele ditado aquele famoso ditado popular “quem é rei nunca perde a majestade”, e o rei Leão, que um dia parecia dominado, enjaulado e com os dias contados, voltou ao trono e a dar as ordens no seu habitat. Com uma boa campanha no campeonato brasileiro, a equipe conseguiu a vaga para a sul-americana, e fez um jogo histórico diante do Independiente-ARG, mesmo sendo eliminado, era o começo da exploração leonina em uma nova selva.


Nesse período de desenvolvimento dentro e fora dos gramados, a diretoria aumentou o investimento em outras áreas, como no Centro de Inteligência (Cifec), que analisa o mercado de jogadores e técnicos para o departamento de futebol como forma de obter bons reforços mas com baixo custo.


Em 2020, um susto! O Fortaleza encerrou sua participação no brasileiro de forma melancólica e quase amargou o rebaixamento à série B do ano seguinte.


A diretoria resolveu fazer ajustes na formação do elenco para realizar uma campanha segura no Brasileirão e nas demais competições. Foram mais de dez contratações para essa temporada. O time tricolor apostou em alguns jogadores rodados, mas que vinham de atuações ruins por seus clubes como o lateral e meia Yago Pikachu, do Vasco, o zagueiro Marcelo Benevenuto, do Botafogo, e o meia Éderson, do Corinthians.


O Fortaleza também foi atrás de um perfil de técnico com proposta ofensiva e de intensidade. Tinha em mente uma ideia de treinador que se encaixava com a filosofia traçada pela diretoria.Tentou Fernando Diniz, mas não houve acerto e, então, procurou opções no mercado internacional.


O nome do argentino Juan Pablo Vojvoda foi sugerido dentro do departamento de futebol pelo diretor de futebol, Alex Santiago. As primeiras referências indicavam um técnico jovem com alguns bons trabalhos em times de menor orçamento, mas ainda pouco conhecido. O Cifec foi acionado para colher informações detalhadas do seu histórico e o relatório agradou a diretoria, que fechou sua contratação.


A fácil e rápida adaptação de Vojvoda à capital cearense e ao futebol brasileiro chamaram atenção. Vojvoda recusou a proposta da diretoria de residir em um apartamento com vista para o mar e mora em uma acomodação no centro de treinamento. É visto internamente como um homem simples, que vive o dia a dia do clube e querido pelos funcionários.


O primeiro ano do argentino no futebol brasileiro foi excelente. O Fortaleza foi uma das grandes surpresas do ano, não só por garantir vaga na fase de grupos da Copa Libertadores, com a quarta melhor campanha do Brasil, ficando atrás somente de Atlético MG, Flamengo e Palmeiras. O Leão ainda chegou às semifinais da Copa do Brasil e ganhou o campeonato estadual, mais uma vez.


Na temporada 2022, os comandados de Vojvoda, são finalistas do estadual e, ontem, chegaram ao Bi Campeonato da Copa do Nordeste. Diferentemente de alguns anos atrás, o Fortaleza já entrou no regional como o grande favorito a chegar na decisão. Ontem, no Castelão, houve apenas o coroamento de um planejamento perfeito. Com um gol de Yago Pikachu, aquele mesmo, que chegou como patinho feio, e hoje, é uma das grandes referências do time, o Leão do Pici enjaulou e mandou de volta para recife a equipe do Sport.


O time rubro negro, desde o jogo em seus domínios, demonstrara limitações. Como se diz na linguagem esportiva, o visitante trabalhava por uma bola.Já o Fortaleza quis mais. Buscou o resultado. Foi senhor da iniciativa.


Dessa vez o futebol foi muito justo. O bicampeonato invicto traduziu a superioridade de um time que não teve ao longo da jornada nenhum outro adversário capaz de suplantá-lo. Venceu o melhor. O Nordeste agradece! O Laion está solto no Brasil e próximo de rugir por toda a América do Sul.

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