• Larissa Maciel

Opinião: Portões fechados para o futebol. Perdemos para a violência de vez.

O poder público está de mãos atadas. Não dá pra banir o ser humano do futebol.


foto: reprodução de arquivo pessoal

Os bandos tomaram conta do nosso futebol. Essa é a verdade. Se apossaram das arquibancadas do esporte favorito do mundo, não só do Brasil, como o espaço da selvageria, da barbárie. Vidas ceifadas dentro e fora dos estádios. Preconceito rolando solto. Famílias com medo de ver a bola rolar de pertinho. O que faremos?


A tática, ou medida protetora de fechar os portões já demonstrou que não educa "torcedor algum". Nem mesmo multar o clube com a retirada de bolos fartos de dinheiro. Ora, não mexeu nem um pouquinho no bolso dos agressores. Pra eles, tudo segue impune, tudo segue tranquilo até a próxima pancadaria!


Se você fizer uma pesquisa bem rápida do Estatuto do Torcedor, vai encontrar logo no primeiro artigo: "A prevenção da violência nos esportes é de responsabilidade do poder público, das confederações, federações, ligas, clubes, associações ou entidades esportivas, entidades recreativas e associações de torcedores, inclusive de seus respectivos dirigentes, bem como daqueles que, de qualquer forma, promovem, organizam, coordenam ou participam dos eventos esportivos".


Então, supomos que as medidas de torcida única, jogos de portões trancados, sem sinalizadores, sem bandeiras, sem festa, sem nada, são medidas protetivas utilizadas por essas entidades, até de maneira muito coerente. Afinal, estão retirando quaisquer armas das mãos dos deliquentes. Retirando até o palco de guerra... só que não, meus amigos.


Com portões fechados, o "pau tora" de todo jeito. Com torcida única, buscam-se "torcedores infiltrados" para sofrerem linchamentos. O xingamento xenofóbico, racista, machista e LGBTFóbico sai da boca de gente que muitos qualificam como torcedor, só que passa muito, mas muito longe disso. Voltemos ao Estatuto:


"Art. 2º Torcedor é toda pessoa que aprecie, apoie ou se associe a qualquer entidade de prática desportiva do país e acompanhe a prática de determinada modalidade esportiva".


Até que o artigo da brecha para os agressores se encaixarem. Mas está na hora de pensarmos que o poder público não necessariamente faliu na questão da segurança, nem abriu mão das tentativas de conter o terror. O problema é do ser humano. A raiva, o ódio, a necessidade de depreciar, de agredir, habita em nós.


Ontem, Sérgio Fernando, foi o nome atingido pela violência. Torcedor do Botafogo, viu gente nocauteá-lo sem o mínimo de razão e sentido. Gente que o viu apanhar e que resolveu dar uma "forcinha" aos agressões. Gente que quer ver sangue manchando camisa de futebol.


Proibiram as bandeiras, os sinalizadores, os cartazes, a bebida porque o verdadeiro perigo se tornou o ser humano. Não dá pra banir a raiva intrínseca de quem não suporta o contrário, o diferente.


Falimos em essência. A culpa é nossa. Os bandos estão vencendo a guerra. O que faremos?

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