• Larissa Maciel

Ster Brito: "minha vida é correr"

Natural de Janduís, hoje Ster marca as pistas de Mossoró e região com o prazer de competir.

Natural de Janduís, Sterphania Ayssila de Brito tem 31 anos e hoje vive um momento mais do que prazeroso em sua trajetória como corredora. Além de uma vida literalmente corrida, a atleta dedica sua disposição física e psicológica a crescer dentro do esporte. Esse amor começou no interior.


"Meu primeiro contato com a corrida foi em 2017 quando saí de um relacionamento e comecei um processo de emagrecimento. Também entrei na academia, comecei a fazer uma reeducação alimentar e eu estava procurando meios para alcançar o meu objetivo, que era emagrecer. Eu vi no instagram uma pessoa que sempre postava fotos do pós corrida e aí eu comecei a despertar o interesse pela corrida, porque na minha cidade não tinha ninguém que corresse, mais idosos caminhando, mas não a corrida em si. Eu lembro que o meu primeiro contato direto foi um dia a noite porque eu tinha muita vergonha de correr e aí eu saí da academia, já era tarde, e comecei a correr, intercalei corrida e caminhada, lembro que no primeiro dia eu fiz pouco mais do que 3km e aquele momento ali já me transformou", disse ao blog.


A experiência começou a "ganhar" corpo também conhecendo novas pessoas e principalmente atletas experientes na área.


"Em 2018 eu comecei a conhecer pessoas mais experientes na corrida, pessoas de grupos de corrida daqui e entrei num grupo e elas viam potencial, que eu corria bem e que se eu continuasse correndo e treinasse em pouco tempo eu seria uma grande corredora e isso me despertava a vontade de ser uma grande corredora. Eu participei da minha primeira prova em junho de 2019, no Mossoró Cidade Junina, sem nenhuma experiência e eu consegui ficar em terceiro lugar. Aquela sensação foi muito boa e me despertou mais vontade cada vez mais. Eu ficava pensando na próxima corrida "na próxima eu fico em segundo e um dia eu vou ser a primeira" e "ainda vou ser conhecida como uma das melhores corredoras".


Ster hoje é um dos poucos nomes da nossa região que pode dizer que já sentiu o sabor de ser maratonista, ou seja, encarar 42km ininterruptos. Ela cita a dificuldade que isso traz principalmente por ser mulher.


"Ser mulher e ser maratonista aqui em Mossoró eu acredito que em outros lugares também tenha a sua importância. Nós temos poucas mulheres maratonistas e a dificuldade só aumenta. Para encarar uma maratona eu me metia no treino de vários homens e só eu de mulher, com isso chegam as dificuldades porque alguns homens não admitem que uma mulher corra mais rápido do que eles, então sofri muito preconceito, muito machismo e porque eu decidi ser maratonista."


Ainda pior que o machismo em treinamentos, o medo que as ruas trazem quanto ao assédio. Esta é uma realidade não apenas de Ster, mas de diversas atletas da cidade e da região que precisam combinar treinamentos para evitar ruas vazias.


"Nós mulheres não podemos correr sozinhas, em lugares escuros e aí a gente ainda sofre muito com isso, mas somos fortes, guerreiras e tenho muito orgulho de mim e de todas as mulheres."


Quanto ao volume de corridas, ela pontua que não há nenhuma prova em específico que seja mais especial do que as outras. Cada uma é um aprendizado.


"Não tenho uma corrida em específico que tenha me marcado, todas são muitos especiais. Todas são únicas, experiências vividas, histórias para contar. Cada troféu, cada medalha tem um significado em especial, é o resultado de muito esforço e de muito amor."


E quando pergunto o que a Ster do passado sentiria quando olhasse para frente e enxergasse todo o percurso já conquistado até aqui, ela é categórica:


"A Ster do passado diria para a Ster do presente muito obrigada por não desistir. E eu espero que a Ster de hoje diga para a Ster do futuro a mesma coisa."


É claro que não dá para não pedir dicas a Ster. O processo de conquista dentro do esporte deve ser respeitado e ela deixa o recado para quem quer começar:


"A dica que eu dou para quem deseja competir é procurar um bom profissional para cuidar dos seus treinos, ter muito foco, disciplina, ousadia e muito prazer pela corrida, amar cada treino. Treinos bons e ruins, respeitando o processo e curtir, sofrer nos treinos para ser feliz nas provas, não querer passar por cima de ninguém, derrubar ninguém e nem desejar mal. Dar para correr, ser feliz, dá para ganhar, comemorar a vitória dos outros e não precisa transformar a corrida em uma guerra. Tenha empatia e ame o próximo. Tudo é consequência!"

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