• Larissa Maciel

Voo do RN, Licença A e admiração por Bielsa: conheça o novo diretor de futebol do Baraúnas

Felipe Felipe chega com licença A de treinadores na Argentina de nome (ATFA).

foto: reprodução/instagram

Fernando Felipe é natalense, mas desbravou o Brasil muito cedo. Cultivou amizade com a atual presidente do Baraúnas, Bárbara Freitas, e aceitou o convite para assumir a direção de futebol do tricolor mossoroense. Ele conta como tudo começou em sua carreira ao blog Larissa Maciel.



1- Primeiramente, como começou a sua trajetória dentro do futebol até chegar à cargos de gestão?


Minha trajetória no futebol se iniciou desde a minha ruptura de estado confortável no antigo trabalho. O que seria.. Sou oriundo da aviação civil, fui tripulante de voo e galguei alguns degraus dentro da empresa até conseguir voar.


Dentro disso, fui inúmeras funções, mas o choque veio no dia que eu fiz um voo fretado entre CWB (Coritiba) e GIG (Galeão) para o time do Fluminense. Nesse voo havia um jogador em especial chamado Everaldo, me reconheceu e me abraçou chorando reconhecendo o ato que fiz para ele muitos anos atrás onde dei a passagem para o mesmo quando perdeu seu voo, e ele iria fazer teste no São Bento salvo engano.


Aí que notei que poderia mudar vidas através do futebol e a chave virou. Larguei a carreira em abril de 2020, mas já tinha começado a cursar as licenças da tão temida AFA já que tem valor global. Dentro disso, fiz pesquisas e fornecia para treinadores amigos a respeito do reflexo dos jogadores da periodização e da neurociência, sobre vícios no futebol (sites de aposta) e o reflexo disso em campo.


Fui ganhando a confiança de alguns grandes clubes do nordeste, mas não aceitei o convite de entrar na comissão pois o Sport de recife estava com problemas políticos. Esperei um pouco mais, e dei continuidade na formação, dentro disso convivi nos bastidores de alguns clubes aqui do estado e via a tamanha desorganização, implementei trabalhos humanos e aplicação de tudo isso em campo.


Ganhei conhecimento com erros próximos e alheios, mas diante disso surgiu convite para ser diretor técnico no VEC - Varginha esporte clube em minas, onde conseguimos ato histórico de subir e atual montar elenco sem ter caixa, apenas pelo propósito.


Sai do cargo tem uma semana, e nisso fui convidado para estagiar no Corinthians onde colegas de turma são gestores, mas surgiu esse convite.


2- Ainda em relação a sua carreira, você buscou a licença A pela Associação de Treinadores de Futebol da Argentina. Como foi essa busca de conhecimento e o quanto ela pode servir de bagagem para este novo trabalho?

A licença de treinadores na Argentina de nome (ATFA), tem um poder enorme social e futebolístico no cenário mundial. Lá não existe benefícios como ex atletas saltar as licenças, todos começam do zero da licença C, que dura 8 meses e a licença B que dura mais 8 meses salvo engano. Sendo assim, C/B/A/PRO, estou finalizando a licença (A) já finalizei as outras licenças, e pretendo seguir até a PRO.


Essa escolha pelas licenças foi por admirar o trabalho do Bielsa, e por ver a ascensão dos argentinos ao redor do mundo. Nas licenças estudamos inúmeras disciplinas... tais como: formação física motor, periodização, psicologia, neurociência, história do futebol argentino e mundial, regulamentos e arbitragem, e medicina esportiva, sendo o curso semipresencial. Onde se faz monografias, tese de defesas, entrevistas com árbitros e sabatina de práticas oral e escrita em Buenos Aires.

Sigo procurando conhecimento, me tornará mais centrado nas leis e regras no geral, mas o que diferenciará o trabalho será a aplicação dentro da realidade atual organizacional e cultural.


3- Claro, a pergunta de praxe! Como surgiu o contato do Baraúnas para a concretização do acerto?


A proposta sempre houve pela aproximação com a presidente. Ela acompanhou boa parte dessa empreitada, e sempre foi uma exímia ouvinte em ouvir novos conhecimentos e também aprender com ela, esse convite surgiu no ano passado mas o ciclo não era aceitável para o momento. Estávamos em realidades distintas, eu prestes a assumir cargo de confiança e ela reiniciando a nova história do Baraúnas. Mas de longe pude ajudar com indicações.


4- O clube no ano passado buscou atletas da região para formar um elenco de acordo com a realidade financeira e conseguiu chegar as semifinais. Como será o seu olhar quanto diretor de futebol na busca pelos atletas desse ano? Quem pode estar neste radar?


Sobre as escolhas sempre participei indiretamente sobre o elenco, indiquei 2 jogadores que por coincidência são locais do RN e foram os melhores em números e minutos da equipe. Esse olhar sempre foi vivido dentro do nosso estado, sempre ajudei atletas a irem a clubes por influência e mesmo sem receber recursos ou cobrar, eu sempre tentei lutar pelo futebol local, onde ajudei a mudar o Fut7 de Natal, com patrocínios e uma roupagem profissional. No pouco que ajudei sempre pontuei.


Sobre montagem do elenco, podemos usar sempre acordos leais de amigos que passaram e hoje estão em clubes de fora do país, e alguns aqui em alto nível que viriam para fazer história dentro da realidade proposto. No futebol nem sempre o dinheiro vence, a vontade de vencer e de acreditar no outro prevalece.


Um nome, eu não poderia citar hoje mas há opções locais, estaduais, nacionais e internacionais. Lembrando que a prioridade será sempre orgânica, dando valor a atletas da região Baraúnas não é meu nem dos diretores nem dos presidentes, baraúnas é sempre será do povo.


5- Como oriundo do RN, como vê o cenário do futebol potiguar e ao mesmo tempo mossoroense?


O cenário do nosso futebol é sempre lastimável, não revelamos jogadores com frequência. A maioria sempre sai novo sem passar por aqui, há jovens que dariam a vida por uma oportunidade e estando tão perto. Em contato com scouter’s de Portugal e avaliadores da liga inglesa, eles sempre falam que somos um grande minério.

Temos a síndrome do estrangeiro, exaltando quem vem de fora e esquecendo o valor local. O futebol do nosso estado merece ser valorizado, e por mim serei o que mais brigará por isso. Irei colher os frutos que plantar aqui. E depois disso seguirei encantado, por ter feito algo na minha terra junto com a família Baraúnas, que sozinho não conseguirei.


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